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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Córregos

Córregos

                    ninfa parreiras

Córregos escorrem versos
Regam sons
Regem palavras

Córregos carregam silêncios
Ganham pedras
Gastam pós

Córregos escorregam grãos
Versam lodos
Valsam musgos

Córregos correm cores
Ecoam dores
Coam de cor

Córregos escoam ecos
Escolhem aços
Colhem ocos

(foto: arquivo pessoal, Casa Branca, verão 2015)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Guardados na caixa de fósforos

                                            Ninfa Parreiras
Acabaram-se os fósforos
O que fazer da caixa vazia?

Cortaram a luz
Como enxergar no escuro?

A água não goteja da bica
Como matar a sede?
A janela anuncia:
Ano ímpar

Inventar histórias
Tapear as horas

Escutar os pequenos
Desvendar suas cores
Reparar rugas
Contar traços

Mirar os minúsculos
Descobrir suas hastes
Tocar presas
Alisar antenas

Sombrear os rasgados
Flertar com o estranho
Escolher o instante
De rara surpresa

Guardar na caixinha vazia
Os olhos embrulhados
Imortalizar em palavra
O gesto

Cada texto
Cada tecido
 fotos: arquivo pessoal, Casa Branca, 2014

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Pão do Francisco

O pão do Francisco
                            ninfa parreiras

Tarda cedo
Cresce encolhe
Forno lépido

Vai, Francisco
Amassar o pão
O doce salgado

O enrolado
Sovado
Crocante

De forma
Recheado
Fatiado

No forro
A fome
Da Terra

Teu pão revela
Talhe
Molhos

Teu pão amassa
Lugares
Mares

Teu pão levita
De silêncio
De estátua

Teu pão embebido
De vento
E voz
   
 fotos: arquivo pessoal, Casa Branca, inverno e primavera 2014

 para o Francisco, a Sol Mota do CREJA, RJ