Poema para Dafne
os seus pés viram raízes
suas mãos são galhos
seus cabelos são folhas
Dafne perfume de louro
Apolo zomba do deus alado
Eros brinca e atira
a flecha afiada
de ouro em Apolo
a flecha rombuda
de chumbo em Dafne
atração de amor em um
repulsa de amor na outra
na imortalidade da árvore
a ninfa protesta: não é não!
metamorfoseada em planta
Dafne sabor de louro
em fuga, a jovem
se transforma
em vegetal-protesto
Dafne cor de louro
vai, Dafne,
fugir para o bosque da imortalidade
vai, Dafne,
dizer (por todas as mulheres) não é não
vai, Dafne,
virar vegetal da glória
vai, Dafne,
ser loureiro
vai, Dafne,
ser inteira, sementeira
suas mãos são galhos
seus cabelos são folhas
Dafne perfume de louro
Eros brinca e atira
a flecha afiada
de ouro em Apolo
de chumbo em Dafne
atração de amor em um
repulsa de amor na outra
a ninfa protesta: não é não!
metamorfoseada em planta
Dafne sabor de louro
se transforma
em vegetal-protesto
Dafne cor de louro
fugir para o bosque da imortalidade
dizer (por todas as mulheres) não é não
virar vegetal da glória
ser loureiro
ser inteira, sementeira
Apolo e Dafne, Gian Lorenzo Bernini, Roma, 1625
Maestro del Dado: Apolo y Dafne. Ca. 1500-1562. Grabado. 18.1 x 24.4 cm. Colección de Elisha Whittelsey, The Elisha Whittelsey Fund.


