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sexta-feira, 6 de março de 2026

Poema para Dafne

 

Poema para Dafne

                                                                   Ninfa Parreiras

os seus pés viram raízes
suas mãos são galhos
seus cabelos são folhas
Dafne perfume de louro
 
Apolo zomba do deus alado
Eros brinca e atira
a flecha afiada
de ouro em Apolo
 
a flecha rombuda
de chumbo em Dafne
atração de amor em um
repulsa de amor na outra
 
na imortalidade da árvore
a ninfa protesta: não é não!
metamorfoseada em planta
Dafne sabor de louro
 
em fuga, a jovem
se transforma
em vegetal-protesto
Dafne cor de louro
 
vai, Dafne,
fugir para o bosque da imortalidade
 
vai, Dafne,
dizer (por todas as mulheres) não é não
 
vai, Dafne,
virar vegetal da glória
 
vai, Dafne,
ser loureiro
 
vai, Dafne,
ser inteira, sementeira

 Imagens:


Apolo e Dafne, Gian Lorenzo Bernini, Roma, 1625

Gian Lorenzo Bernini: Apolo y Dafne. Mármol de Carrara, 1622-1625, 2.43 m., Galería Borghese, Roma.

Maestro del Dado: Apolo y Dafne. Ca. 1500-1562. Grabado. 18.1 x 24.4 cm. Colección de Elisha Whittelsey, The Elisha Whittelsey Fund.