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Mostrando postagens com marcador Ano Novo. Mostrar todas as postagens
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sábado, 23 de dezembro de 2023

Romãs


 Romãs

 

Ninfa Parreiras 

 

Pedras acesas de rubis

Com delicioso sumo

 

Uma pepita colhida

De frescas sementes 

 

Os véus das finas películas

Revestem cada pedrinha

 

Despertam histórias

Da Grécia, da Turquia

 

Do quintal de casa

Da feira, da ceia

 

Granadas maduras

Adoçam novo ano


Foto: sem autoria, da internet

sábado, 30 de dezembro de 2017

Para 2018

Para 2018
Ninfa Parreiras
pense
            nas pedras
soltas no poema

pese
            teias de aranha
                        de transparentes fios

peça
            poucos
                        sonhos em poças d’água

pince
            o canto
                        da candeia acesa

pinte
            o calendário
                        oco do tempo


(foto: arquivo pessoal, verão 2017)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

No quando

No quando  
                                       ninfa parreiras

No quando  
Uma criança nasce,
começa tudo de novo

No quando  
Um balanço embala,
chegam sonhos

No quando  
Uma criança brinca,
acontece a vida

No quando  
Uma bola atravessa o muro,
explode a utopia 

No quando  
Uma criança saltita,
desafia o mundo 

No quando  
Um carrinho faz bibi,
gira a roda do tempo

No quando  
Uma criança sonha,
explodem os desejos

No quando  
Umas pipas dançam,
acontece a festa

No quando  
Uma criança rabisca,
esboça os dias

No quando  
Um joelho fica esfolado,
carimba a travessura 

No quando  
Uma criança cantarola,
afina os sons do riso

No quando  
Um poeta verseja,
borda os silêncios

A vida re-nasce, a cada quando.

para as crianças pequenas e as grandes.
e para a Bia Moura, amiga de tantos quandos!

foto: arquivo pessoa, Casa Branca, inverno, 2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Guardados na caixa de fósforos

                                            Ninfa Parreiras
Acabaram-se os fósforos
O que fazer da caixa vazia?

Cortaram a luz
Como enxergar no escuro?

A água não goteja da bica
Como matar a sede?
A janela anuncia:
Ano ímpar

Inventar histórias
Tapear as horas

Escutar os pequenos
Desvendar suas cores
Reparar rugas
Contar traços

Mirar os minúsculos
Descobrir suas hastes
Tocar presas
Alisar antenas

Sombrear os rasgados
Flertar com o estranho
Escolher o instante
De rara surpresa

Guardar na caixinha vazia
Os olhos embrulhados
Imortalizar em palavra
O gesto

Cada texto
Cada tecido
 fotos: arquivo pessoal, Casa Branca, 2014

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Vamos escutar o Silêncio?

Vamos escutar o Silêncio?

Vamos escutar o silêncio
Que cor tem ele?
As folhas são todas verdes?
As nuvens todas brancas?
O mar é sempre prata?

Vamos saborear o silêncio
Que som ele tem?
Os pássaros são todos cantores?
As buzinas todas irritadas?
A gota é sempre silenciosa?

Vamos tocar o silêncio
Que sabor ele tem?
Os limões são todos ácidos?
As laranjas todas doces?
O sal é sempre salgado?

Vamos cheirar o silêncio
Que forma ele tem?
As ondas são todas espumosas?
As jabuticabas todas esféricas?
A chuva cai sempre em pé?

Vamos olhar o silêncio
Que cheiro ele tem?
As pimentas são todas ardidas?
Os perfumes todos secos?
O maracujá é sempre azedo?

Vamos viver o silêncio
Deixar a voz das pedras
Silenciarem minha fala
Deixar a rouquidão da maré 
Falar a sua mudez

Vamos de silêncio
Sem pressa
Cessar o excesso
Dar voz ao nada
Contemplar a escuridão

pra: Dafne, Ícaro, Lice e os meus amigos todos

foto: arquivo pessoal, Veneza, inverno 2013

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Luxo, lixo e lixa: um encontro


Luxo, lixo e lixa: um encontro

                                               ninfa parreiras

Luxo
Nas pulseiras
Nas capas
Nas botas
Nos brilhos
No perfume

Lixo
No fim de feira
Na vestimenta velha
Na moradia modesta
Nas sobras soltas
No resto do resto

Lixa
Pra romper correntes
Pra rasgar excessos
Pra limpar o podre
Pra reviver o viço
Pra lustrar o fosco

Fazer do simples
O confortável

Fazer do pouco
O luxo de viver

Fazer do resto
O início

De um ano que traz lixa pra criarmos.

Com a leitura de Os Colegas, de Lygia Bojunga: Ana Cristina Melo, Edna Bueno, Geisa Neves Giraldes, José Luiz Prado, Luciana Figueiredo, Lucilia Soares, Luiz Raul Machado, Maria Izabel Cetto Sampaio, Maria Teresa Nascimento Brito, Otávio Júnior, Pepita Sampaio, Rachel Facó, Vera Abrantes (Encontros Literários na Casa Lygia Bojunga)

Pra vocês todos, colegas, de muitos encontros...

Foto: arquivo pessoal, inverno 2012, relógios moles do Dalí, em Barcelona

domingo, 25 de novembro de 2012

Uma concha


Uma concha 

                                        ninfa parreiras

Procuro uma concha
Oca, vazia
Com poucos
Grãos de areia
De cor manchada
Rolada nas ondas
Ralada de dor

Uma concha-telhado
Com beira
De aparar o vento
Uma janelinha
A seguir estrelas
Soltas na ribeira
Espelhadas n’água

Uma concha-teto
Coberta de musgos
Protegida das tempestades
Colcha pros dias frios
Ventilada
Pras noites abafadas
De amor

Uma concha-caixa
Pra guardar
Lembranças
Ciscos
Espumas
Sopros
D’alma

Uma concha-casa
Pra receber
Poucos e loucos
Amigos e moluscos
Guardar livros
Folhas pros versos
Escritos nas marés

Uma concha-carta
Pra levar notícias
Aos de longe
Pra trazer
Versos
Vozes
Ventos.


Pros meus filhotes: Dafne, Ícaro e Lice
Uma concha bem pequenina pra viver o 2013

fotos: arquivo pessoal, inverno 2012, Salvador, Bahia

domingo, 18 de dezembro de 2011

UMA EXPLOSÃO PARA 2012


UMA EXPLOSÃO PARA 2012
                                                         Ninfa Parreiras

Uma explosão das coisas velhas
Que virem pó e pedra
Que vivam como minério de ferro
Nas montanhas de Itaúna

Uma explosão das coisas novas
Em partículas mínimas
Como pequenas estrelas
A iluminar novos caminhos

Uma explosão das paixões
Da escrita silenciada
Da voz embaçada
Da cegueira abafada

Uma explosão de surpresas
De páginas novas abertas
De páginas viradas
Em versos em prosa

Uma explosão de sonhos
Pipocados em nuvens
Uma explosão dos nossos vulcões
Do mundo de dentro

Uma explosão de amores!

Foto: arquivo pessoal, cratera do Vulcão Poás, Costa Rica, 2011

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O que é novo no Ano Novo?

(Foto: Panacéia, em Itaúna, 2008, Ninfa Parreiras)

O que é novo no Ano Novo?

O ano
A hora nona
O novo do dia
O noivo da noite
A novidade do olhar


Que o Ano Novo desperte
As lembranças adormecidas
Os sonhos preguiçosos
Os planos engavetados
As saudades trancadas

Que o Novo venha de lá
Do dentro de você
Das coisas guardadas
Daquelas que você não abriu
Daquelas que você ainda nem recebeu

As palavras que juntamos
Os barcos que partiram
A dor que não apagamos
Os ruídos do silêncio
Os caminhos que ficaram

Moram dentro do novo
Do novo da fala
Do novo da sala
Do novo da mala
Do novo do ano

Do Novo que não despontou
A ser descoberto
A ser descascado
A ser desdobrado
A Nascer.