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Mostrando postagens com marcador Tiradentes. Mostrar todas as postagens
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sexta-feira, 3 de junho de 2011

ESTAÇÃO DAS LETRAS EM 15 VERSOS


Estação das Letras em 15 versos

Na estação

Partimos com as folhas
Chegamos com ideias
Esperamos os versos
Promessa de escrita
Conquista do tempo
De trem, de barco, de ônibus
Atravessamos terras, águas

De estação em estação

Conhecemos letras e palavras
O verão dos contos
A primavera da poesia
O inverno da crônica
O outono dos haicais
A chegada das colheitas
Nasce a escrita
Das nossas histórias: da vida


Feliz nome escolheu Suzana Vargas
Para uma casa que nos recebe, nos abriga...
Parabéns aos que ajudam a manter a Estação cheia de Letras vivas 
com um trem na plataforma, para um lugar cheio de sonhos
Ninfa Parreiras, na Estação, por muitas estações

Foto: arquivos de Minas: Tiradentes, inverno, 2008

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O TEMPO ABRIGA O SEMPRE


O tempo abriga o sempre

                                     ninfa parreiras

O tempo traz cartas
O tempo leva palavras
Leve ao vento

O tempo aterrissa fantasias
O tempo voa ao leu
Volta-e-meia

O tempo espera a criança
O tempo brinca de dança
Brinda a vida

O tempo agradece a memória
O tempo anoitece a dor
Amanhece a história

O tempo destempera
As mágoas, manhas
As dores, as flores

De tempo em tempo
Têmpera sobre papel
Vegetal de sonhos.

Para a Ruth Cnop Goldemberg, aos 87!

Foto: arquivo pessoal, peças do artista Osmar Costa, verão 2010, Tiradentes 

domingo, 20 de março de 2011

ÁGUAS FLORADAS

ÁGUAS FLORADAS

                                                 Ninfa Parreiras

Caminhos d’água
Pisamos de barco
Tateamos descalços

Deslizamos de leve
Pela sombra
Pelo avesso

Molhamos os sonhos
Encharcamos os guardados
Chega o passado

Ano vai, ano vem
As folhas caem
A chuva lava

Lustra, nutre
Folhas se renovam
Florescem

Cores claras
Escuras
Desbotadas

Flores bordadas
Em árvores
Pontos finos

Em amarelo
O ipê amanhece
Doura a copa

Colore palavras
Cachos e maços
Derramam

Floradas líquidas
Barrocas
Rocas de suor

De ouro
Colorem as calçadas
Carros, telhados

Pintam a cidade
Maquiam cada esquina
Pétalas escorridas

Líquidas
Descem pelas ladeiras
Viram riachos

Correm ao mar
Retornam às nuvens
Nova estação

Das águas
Das brotações
Da vida.

(Foto: arquivos de Tiradentes, MG, verão 2010/2011)
Mensagem criada especialmente para o site Green Nation: 



domingo, 21 de setembro de 2008

Sobretudo


SOBRETUDO

De tijolos são seus olhos
Duros e firmes
A admirar o céu
A contemplar os morros


Onde chegar?
Se o fim não aparece
Onde tocar?
Se o céu espelha montanhas


De sobretudo
Você se veste do frio
Que colore os ipês
E carrega no azul do teto


Como ir além da serra?
Se o olhar não alcança o infinito
Como conservar o amor?
Se as tardes mudam de cor.


Ninfa Parreiras

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(foto: arquivo pessoal, Tiradentes, inverno, 2008)

sábado, 3 de maio de 2008

Minas não sai de Mim

Minas não sai de Mim


Onde vou
O que faço
Minas está lá

Com o pão de queijo
O pé de moleque
O tutu, o tropeiro

Me acompanha a lugares diferentes
A terras distantes
Em idiomas que nem conheço

Seja inverno
Caia neve caia trem
Seja deserto de palavras

Minas está lá
Como uma companheira
Fiel, inseparável

E depois que eu viver
Tantos lugares encontros despedidas
Estará junto ao meu leito de morte?

Minas não sai de Mim.


(foto: arquivo pessoal, Tiradentes, MG, verão, 2008)



domingo, 27 de abril de 2008

Minas, da janela


MINAS, DA JANELA


Vejo os rios correrem
Para onde?

Os dias escorrerem
Pelas pedras?

As carroças discorrerem
Pelas ruelas?

Os casarões escorregarem
Pelas ladeiras?

Minas de lá e daqui
Soltas nas esquinas do tempo

Minas cabe na janela?
Do outro lado da rua
A espreitar os bondes que não existem

Minas cabe na mala?
Pão de queijo, roça, trem de ferro
Rios doces, mar de serras

Minas cabe num cartão postal?
Pedra sabão, desliza o tempo
As paredes infinitas das montanhas

Minas cabe no porão?
Papéis desbotados
Fechaduras emperradas

Minas cabe?
Onde chega o silêncio
Como falam as lembranças

Minas cabe
Nas palavras todas
Pintadas de Barroco

Minas cabe
Nos incontáveis dias
Sem Minas

Minas cabe
Hoje
Agora

São quinze horas
De um dia de outono
Cabe Minas aqui.

(foto: arquivo pessoal, Um janela de Tiradentes, 2008)