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Mostrando postagens com marcador Vida. Mostrar todas as postagens
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sábado, 4 de junho de 2011

MUITAS VIDAS


MUITAS VIDAS

                                                                         ninfa parreiras

De vozes
De dores
Amores

Somos insumos
Muitas faces
Enlaces

Entre perdas
Entre faltas
Lacunas

De ceifas
De seivas
Eiras

A descoberta
Das cores
Plurais

A brisa
Levanta a página
Dádiva

Rói o caminho
Abre clarões
Rincões

Vida que escoa
Derrete de amor
Suor

Congela de dor
Amanhece em clamor
Chama

Mais uma vida
Outro nascimento
Alimento

Novo sentido
A caminhar
Ao luar

Para a Bárbara Andersen, novas palavras, novos sentidos

Foto: arquivo pessoal, Rio de Janeiro, outono, 2007

LA VITA COME UNA SCALA

                           La vita come una scala 
                                                     Ninfa Parreiras

Come una scala
Fare un passo
Camminare all'indietro
Guardare prima di

Ora salire due gradini
Un passo in giù domani
Il sogno di raggiungere il cielo
La tristezza di scivolare

Passo dopo passo
Una caduta, una perdita
Un risultato, un successo
L'escalation del tempo

Un mare di scale
Percorsi di ragnatele
Ruolo delle nuvole
Corso di vita:

“Il mondo è fatto a scale
C’è chi scende e c’è chi sale”

Foto: archivio personale, Jardim Botânico, Rio de Janeiro, inverno, 2009

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O TEMPO ABRIGA O SEMPRE


O tempo abriga o sempre

                                     ninfa parreiras

O tempo traz cartas
O tempo leva palavras
Leve ao vento

O tempo aterrissa fantasias
O tempo voa ao leu
Volta-e-meia

O tempo espera a criança
O tempo brinca de dança
Brinda a vida

O tempo agradece a memória
O tempo anoitece a dor
Amanhece a história

O tempo destempera
As mágoas, manhas
As dores, as flores

De tempo em tempo
Têmpera sobre papel
Vegetal de sonhos.

Para a Ruth Cnop Goldemberg, aos 87!

Foto: arquivo pessoal, peças do artista Osmar Costa, verão 2010, Tiradentes 

domingo, 20 de março de 2011

ÁGUAS FLORADAS

ÁGUAS FLORADAS

                                                 Ninfa Parreiras

Caminhos d’água
Pisamos de barco
Tateamos descalços

Deslizamos de leve
Pela sombra
Pelo avesso

Molhamos os sonhos
Encharcamos os guardados
Chega o passado

Ano vai, ano vem
As folhas caem
A chuva lava

Lustra, nutre
Folhas se renovam
Florescem

Cores claras
Escuras
Desbotadas

Flores bordadas
Em árvores
Pontos finos

Em amarelo
O ipê amanhece
Doura a copa

Colore palavras
Cachos e maços
Derramam

Floradas líquidas
Barrocas
Rocas de suor

De ouro
Colorem as calçadas
Carros, telhados

Pintam a cidade
Maquiam cada esquina
Pétalas escorridas

Líquidas
Descem pelas ladeiras
Viram riachos

Correm ao mar
Retornam às nuvens
Nova estação

Das águas
Das brotações
Da vida.

(Foto: arquivos de Tiradentes, MG, verão 2010/2011)
Mensagem criada especialmente para o site Green Nation: 



sábado, 15 de janeiro de 2011

SOBRE O VIVER


                                Sobre o Viver

                                                                                            
                                                                          Ninfa   Parreiras

Da seiva
A flor

Da terra
A planta

Da água
A chuva

Do mar
O oceano

Da volta
A ida

Do dia
A lua

Da noite
O luar

Da vida
A lágrima

Da família
O amor

Da dor
A cicatriz

A estrada
A seguir.

(foto: arquivos de Lumiar, primavera, 2010)

Pra Zulmira Bittencourt Amador, amiga de tantos momentos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

PARA 2011: O CUIDADO


PARA 2011: O CUIDADO

                                                            Ninfa Parreiras

você sabe cuidar?
emprestar o olhar?
fotografar o ano velho?

dar-se...
como o sol
encolhido ao poente

entre ser dourado
ser furta- cor
reconhecer uma letra

saber um nascimento de cor
entender o pedido
deixar passar a vez

escutar o ano que findou...
quem é aquele?
que voz foi embora?

guardar, na cuia, cada grão
dar a vida à terra
a germinar no novo ano

cuidar é acompanhar
não perder de vista
que seja para dizer em vão.


amigas, amigos, pessoas queridas que me acompanham: recebam meu cuidado


      (foto: entre o cerrado e as águas de Minas, 2010)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Dolce Far Niente 2


Dolce Far Niente

                         (ora in italiano)

Scopri la mattina
Svegliarsi ogni goccia di pioggia
A dormire ogni cosa fastidiosa
Coraggio de lasciare
Aperto il giorno
Lasciare che il sogno
Creare domani...
Vivere per la vita!
Aperto un minuto
Una notte
A che ora? Dove?
Ora: è da inventare
Che la ricerca è questa?
Spazio: da creare
Il silenzio sibila
Lasciare che la vitta accada
Essere liquido in ogni pietra
Essere solidi in ogni goccia
Strappare carte ingiallite
Ignorare sbiadito
Seppellire i biancastro
Continuare a scrivere
Inaugurare questo
Inventare una gramatica
La poetica del sogno:
Tempo per amare.


                                                    Per Mauro Rotenberg

(foto: arquivo pessoal, Bologna, primavera 2010)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

QUE HÁ ENTRE O CÉU E O OCEANO

Que há entre o céu e o oceano?



                                                             Ninfa Parreiras



E se não existe o céu?
O que será do oceano?



Escorrem-se os sonhos
Findam-se os truques



São invenções do nosso olhar?
Fantasias para fazer dormir?



Seria o céu um espelho d’alma?
Um reflexo de mim, de ti?



Existiria algum deus no céu?
Promessa de outra vida?



Que há entre o céu e o oceano?
A praia, a banda, a areia, os cocos:



Algum sonho.



(foto: arquivos do Rio, Praia Vermelha, inverno, 2008)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

SOBRE O CORPO

SOBRE O CORPO

                          Ninfa Parreiras

Na pele:
O leite

No pó:
A seiva

Na terra:
O profundo

No profano:
O mel

De mim:
De você

Sobre o corpo:
Palavras

Atos:
Gritos

Só:
Sonhos

Letras:
A compor


(foto: Bento Gonçalves, primavera, 2010)





RECRIAR A VIDA


Recriar a Vida


Ninfa Parreiras


As colheitas chegam
O passar dos ventos
Das palavras ditas
Dos resmungos

Com pouca água
O fruto renasce em carne
Em cor, a verdade
Pronto pro deleite

A terra apronta o leito
Faz brotar o gérmen
Cobre de luas
Assopra segredos

Ano a ano
O verão traz tempestade
Traz a tarde presa ao dia
Traz a estrada iluminada

Entre chuvas e desgostos
Não ditos e silêncios
Desabrocham conversas
Possíveis sonhos

Renascem portas
Janelas
Chaves:
a serem abertas.

Pra: Vanice, amiga-comadre, recriar momentos e ventos

(foto: Cerrado Minas, Fruto do Pequi, 2009)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Dolce Far Niente

DOLCE FAR NIENTE
                                 
                                                                                  Ninfa Parreiras


abrir um minuto, uma noite
a que hora?
em que lugar?

o tempo: está pra ser inventado
que busca é esta?
a do olhar encadeado

o espaço: por ser criado
o silêncio chiado
no mais interno?

deixar a vida acontecer
ser líquida em cada pedra
ser sólida em cada gota

rasgar os papéis amarelados
incendiar os desbotados
enterrar os esbranquiçados

guardar os escritos
inaugurar o presente
fazer deles a história


inventar uma gramática
da poética do sonho:
a casa do encontro

o tempo de amar.

(foto: arquivo pessoal, Bologna, primavera, 2010)


                                         Pro: Mauro Rotenberg, dolce far niente

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

REINVENTAR A VIDA

Reinventar a Vida

Um dia, sem fala
A vida foi criada
Acolhidos ao colo, dormimos

Aprendemos a sonhar
A tocar as palavras
A decifrar os silêncios

A cada dia, cada tempestade
A vida passa a ser reinventada
Seja sol, seja frio, seja rio

Brincadeiras, rezas,
Leituras, terços, colares
Beiras, bordados, jogos

Reinventamos a vida
Renovamos os sonhos
Colhemos o choro

Fazemos dia novo
Com o velho que aprendemos
Dia lavado pela espera

Noite após noite
Fazer do abraço, o perdão
Da morte, a vida

Do dor, a mudança
Da distância, a amizade
Da falta, a descoberta. 


Nesta passagem triste, para a Vani e os filhos

Da Ninfa Parreiras
Foto: arquivo pessoal, Bento Gonçalves, RS, primavera, 2009