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domingo, 21 de setembro de 2008

Sobretudo


SOBRETUDO

De tijolos são seus olhos
Duros e firmes
A admirar o céu
A contemplar os morros


Onde chegar?
Se o fim não aparece
Onde tocar?
Se o céu espelha montanhas


De sobretudo
Você se veste do frio
Que colore os ipês
E carrega no azul do teto


Como ir além da serra?
Se o olhar não alcança o infinito
Como conservar o amor?
Se as tardes mudam de cor.


Ninfa Parreiras

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(foto: arquivo pessoal, Tiradentes, inverno, 2008)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Caminhos do Céu


Caminhos Infinitos

De que tamanho é o infinito?
Do desenho da lua?
Do brilho do sol?

Como chegar ao infinito?
Pelas nuvens do céu?
Pela chuva que escorre?

Como contar o infinito?
Todos os dedos das mãos e dos pés?
Os galhos de uma árvore?

O infinito tem gosto?
De jabuticaba no pé?
De ora-pro-nobis com angu?


O infinito tem parente?
O finito sem fim?
O fim e o começo?

Dá pra fotografar o infinito?
Enquadrar o mar?
Mapear as nuvens?


O infinito toca violino
Veste todas as notas
Em uma só.


Ninfa Parreiras

Pra Lice, que me traz infinitas perguntas. E me responde minhas infinitas dúvidas.
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(foto: arquivo pessoal, Inhotim, inverno, 2008)

Contrastes


CONTRASTES


Uma fala molhada
Uma conversa seca

Olhos regados de amor

Olhar árido de rancor

Espelhos lagos
Molduras retorcidas

Sorrisos apitos
Gargalhadas escuras

Meu oeste
Seu leste

Meu alento
Seu vento

Ladeira acima
Morro abaixo

Minhas minas
Sua sina

Um contorno a lápis
Uma nota só.

Um conto sem ponto
Contrastes.


Ninfa Parreiras

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(foto: arquivo pessoal, Inhotim, MG, inverno, 2008)

Uma Sombra na Parede


Sombra na Parede

Nossa existência não passa de uma sombra
Encostada à parede do tempo
Sombra que se revela pouco
Sombra que escurece lembranças


Sombra de curvas atalhos galhos
Secos de tanto chorar
Sombra que sobrevive entre
Claros e escuros


Sombras em renda
Sutis, bordadas
Sombras em gravetos troncos
Pesados e toscos


Sombras em dourado
Do iluminado poente
Sombras em prateado
Da lua em atalho


Sombras preguiçosas
Sem chuva sem orvalho
Sonolentas
Em lento sono de espera


Sombras embaçadas
Sobras de vida
Arrastadas pelo veloz do tempo
Capturadas em imagens
Sombras


Sonsas
Sempre
Uma Sombra na parede


(foto: arquivo pessoal, Tiradentes, inverno, 2008)


Para a Lucília, que o aniversário chega junto com a Primavera

Desenho Letras


DESENHO LETRAS

Desenho letras
Sobre sua pele
Papel sem transparências
De textura firme
Surgem palavras curiosas
Caladas por indagações

Não respondidas
Seu corpo
Meu corpo
Inauguram uma saudade
Sem vírgulas
Nem acentos

Meus olhos
Seus olhos
Numa nascente de rio
D'água doce
Brotam afluentes
De sonhos...

Curso da paixão.

(foto: arquivo pessoal, Inhotim, Minas, inverno, 2008)