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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Guardados na caixa de fósforos

                                            Ninfa Parreiras
Acabaram-se os fósforos
O que fazer da caixa vazia?

Cortaram a luz
Como enxergar no escuro?

A água não goteja da bica
Como matar a sede?
A janela anuncia:
Ano ímpar

Inventar histórias
Tapear as horas

Escutar os pequenos
Desvendar suas cores
Reparar rugas
Contar traços

Mirar os minúsculos
Descobrir suas hastes
Tocar presas
Alisar antenas

Sombrear os rasgados
Flertar com o estranho
Escolher o instante
De rara surpresa

Guardar na caixinha vazia
Os olhos embrulhados
Imortalizar em palavra
O gesto

Cada texto
Cada tecido
 fotos: arquivo pessoal, Casa Branca, 2014

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Pão do Francisco

O pão do Francisco
                            ninfa parreiras

Tarda cedo
Cresce encolhe
Forno lépido

Vai, Francisco
Amassar o pão
O doce salgado

O enrolado
Sovado
Crocante

De forma
Recheado
Fatiado

No forro
A fome
Da Terra

Teu pão revela
Talhe
Molhos

Teu pão amassa
Lugares
Mares

Teu pão levita
De silêncio
De estátua

Teu pão embebido
De vento
E voz
   
 fotos: arquivo pessoal, Casa Branca, inverno e primavera 2014

 para o Francisco, a Sol Mota do CREJA, RJ


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

De velas

 De velas
                                                 ninfa parreiras

As velas levam o barco
Sopram em ondas
Abrem caminhos

Eriçadas ao leu
Rabiscam velozes
Curvas de marés

Contornam o vôo
Lilás da mariposa
Pouso mudo

Sem véu
Leves asas
Batem palmas

Anunciam o aniversário
Acendem pavios
Somam os anos

Festejam o pio
Da mata
O pó do dia

A alegria no pouco

Pro Wladimir, neste 12 de novembro de 2014, uma saúde em versos e uma longa vida
fotos: arquivo pessoal, São Bento do Sul, SC, primavera 2014

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A Poesia e os Caminhos de fazer ler


A Poesia e os Caminhos de fazer ler
Movimento por um Brasil Literário - MBL

Na 60ª Feira do Livro de Porto Alegre
Dia 07 de novembro de 2014, 13h30
Casa do Pensamento
Com: Ana Paula Cecato, Ninfa Parreiras, Regina Zilberman e Volnei Canonica



8ª Feira do Livro de São luís - FELIS 2014

Confira a programação completa da 8ª FELIS:

http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2014/10/mais-de-200-mil-devem-participar-da-8-feira-do-livro-de-sao-luis.html

Palestra: O mercado do livro infantil
Com Ninfa Parreiras
Dia 05 novembro 2014, 17h
Espaço Wilson Marques
Local: Biblioteca Municipal José Sarney

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Aldravias no Contestado

Aldravia I

Em
Marte
Tear
Em 
Canoinhas
Matear 

Aldravia II

com
texto
tasco
a
testa
Contestado
Aldravia III

rimos

remo
pelo
rio
Canoinhas

Aldravia IV

Após
Agulha
Atrofiada
Apostrofo
A
Água

para meus amigos do Contestado, Santa Catarina: Andressa Lima, Cleber Artner, João Elmo, Marcia Saçala, Polyanna Orlonski, Valmir

fotos: arquivo pessoal, primavera, Vale do Contestado, SC, 2014

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A lição do estio

A Lição do Estio
                      Ninfa Parreiras
Como dar voz às árvores tortas?
           desenhar o tapete de folhas?
           traduzir o árido do ar?

O que dizer do céu sem nuvens?
           falar do vento em brasa?
           contar do ipê em ouro?

Seu olhar
                 pelo
                         focinho
                                      calaram a música da seca.     

Mudaram o rumo da história.

foto: arquivo pessoal, inverno 2014, Casa Branca

pro Wladimir e pra Sofie

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Prosas e versos de Bartolomeu Campos de Queirós


Pra espantar a febre

Pra espantar a febre
                              ninfa parreiras
uma lebre de leve
sua febre, até breve

uma letra: e ou a
sua pele, tatuar

um vale de elos
dos seus poros

uma leva de asas
nas suas talas 

um casebre de letras
sua fala sempre 

um pouco de chá
sua erva a coar

neve face, suave 
sua febre, até breve

pra Ruth Leite

foto: Café-da-manhã, Bonito, MS, inverno, 2014

Despedida

Despedida
                               ninfa parreiras
tem gente que parte 
vira um pó na estrada

tem gente que parte 
se transforma em fumaça

tem gente que parte 
aumenta a labareda

tem gente que parte 
nasce em árvore

tem gente que parte
pinta uma nuvem 

tem gente que parte 
proseia nas águas do rio

tem gente que parte
faz canto de passarinho

com a alma do índio guerreiro aconteceu tudo isso e mais:
ficou um pouquinho com cada pessoa que o conheceu

seu falar pausado
seu olhar sereno
seu franzir atento
seu caminhar pacífico
sua alma, sua calma

pra todas as pessoas que ficaram órfãs do sábio homem: 
Manoel Fernandes Moura - Ahketo Tukano

foto: arquivo pessoal, inverno, Samambaia, Minas, 2014

terça-feira, 15 de julho de 2014

Colheita do Vale das Videiras


Colheita do Vale das Videiras

                                          Ninfa Parreiras
 
Recebi colheita em ramos

Amarrados em molho

Apertados em silêncio

Alecrim do campo

Grossas folhas

Cobertas de perfume

Recebi colheita em frutas

Colhidas por mãos generosas

Recolhidas em olhares

Carambolas bailarinas

Faces esticadas

Pernas alongadas

Recebi colheita salpicada

Notas do campo

Raras fragrâncias

Limões capetas dourados

Cascas maduras de alegria

Cheirosos em cítricos aromas

Recebi colheita em ramos

Toques suaves

Da estação da seca

Manjericão roxo de surpresa

Tomilho de fala miudinha

Alecrim aveludado de pétalas

Pra Edmea Campbell, camponesa dos versos, minha gratidão

Foto: arquivo pessoal, outono, 2014

POESIA NO PARQUE NAVEGAR PELAS LETRAS


segunda-feira, 9 de junho de 2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Maura faz

Maura faz
                                           ninfa parreiras

Oitenta tantas coisas
Anos, vidas

Sonhos, perdas
Maura menina

Mãe avó irmã
Esposa comadre

Amiga tia
Maura mulher

Planta, poda olhares
Cozinha, tempera colares

Lê, folheia talheres
Artesã das colheres

Costura, prega mares
Roça bacias, pomares

Curadora dos pesares
Centenas de umbigos

Banha, massageia
Cria abrigos

Passeia os olhos de mel

Pelo enrugado dos anos
 

Enxutos, frutos de quintal
Seus cabelos brancos

Cheios de histórias
De casos, enredos

Da Serra Azul de ferro
Da Itaúna de aço

Seu coração é papel
Com palavras de seda

Maura Alice, minha mãe

Foto: arquivo pessoal, Itaúna, inverno 2012

Da minha varanda

Da minha varanda

                        ninfa parreiras

Da minha varanda

Colho as uvas

O ramo de flores

A braçada de sonhos

Da minha varanda

Colho as pedaladas

O olhar surpreso

Da menina, da mulher

Da minha varanda

Escolho a palavra

Desenho a escrita

Fotografo a manhã

Da minha varanda

Um abraço além-mar

Foto: arquivo pessoal, primavera 2014, Bolonha

Pra Miriam Ribeiro, muitas primaveras!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

segunda-feira, 7 de abril de 2014

No ar

No ar

                      ninfa parreiras              

Feito leveza
De sopro      

Feito rede
A bailar
  
Meu desejo
É um ninho

Suspenso
Em linhas

Bordadas
No ar
                       
Fito a tarde
De folhas

Fotografo fios
Átimos

De amar.
                       
No ar: pro Wladimir
Foto: arquivo pessoal, Casa Branca, outono, 2014

Poesia no parque Abril 2014


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Quantos?


Quantos?
                            Ninfa Parreiras

Quantos espelhos para navegar?
Quantas tábuas para poetizar?

Quantos remos para desenhar?

Quantas lágrimas para contar?
Quantos tijolos para erguer?

Quantas remadas para abraçar?
Quantos céus para sonhar?

Quantas nuvens para soprar?
Quantos versos?

Quantas palavras?

Pra: Dafne, Ícaro e Lice
Foto: arquivo pessoal, Veneza, inverno, 2012


Poesia no Parque


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

De uma, em duas


De uma, em duas
                                                 ninfa parreiras

De uma a vida
Se parte reparte

Em duas a vida
Floresce acontece
 

De uma a noite
Pisca rabisca

Em duas o dia
Envelhece escurece

De uma o sonho
Delineia clareia

Em duas a travessia
Canta dança

Pra Flávia e Marina, em 15 de janeiro de 2014
Foto: arquivo pessoal, verão 2013, Jericoacoara, Ceará

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Da natureza

 Da natureza
O ajuntamento
Das folhas
Dos frutos
Dos galhos

A gratuidade
Das raízes
Do tronco
Da copa

Em pencas
Brotam sabores
Peles porosas

Em cachos
Crescem cheiros
Florescem texturas

Matéria de amizade.
 Pra Gloria e Edson, saudades do quintal de generosidades
Fotos: arquivo pessoal, Porto Velho, inverno 2011

Poesia no Parque