Páginas

Translate

sexta-feira, 21 de junho de 2013

a fiar

a fiar



                                    ninfa parreiras


o escuro da noite vaga 
pelas esquinas
fazia silêncio
de suspiro
fazia ruídos
de desespero
fazia dúvida
de viver

do décimo andar
o homem se jogou
para onde?
gritos abafados 
corriam pela madrugada
um corpo sem cor
enrolado no plástico
um bolo de gente

o fio da vida
o fio da morte
unidos em uma ponta
ao amanhecer

admiro o Pão de Açúcar
estático no mesmo lugar
envolto em lençol de neblina
revela sua ponte

um cabo une os dois morros
o fio leva o bondinho
ata o debaixo
ao lá no alto
o sol sopra calor
a bruma se dissolve
desembaça o fiapo
do desejo de viver

preciso escrever
olhar mais os dois morros
desenhar o deslocamento
do bondinho
dar movimento
seguir o fio de cima
o de baixo
qual o tempo a fiar

foto: arquivo pessoal, verão 2012, Rio de Janeiro